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31 de mai de 2015

A IGREJA EM ESMIRNA

Apocalipse 2:8-11

A Igreja em Esmirna representa a condição da igreja desde o segundo século até o ano 313 de Cristo.
A Igreja em Éfeso está fria quanto ao seu amor, enquanto a igreja em Esmirna sofre enormemente. Isto é de muito significado, uma vez que o Senhor frequentemente usa o sofrimento para reavivar os crentes que se tornam frios ou relaxados.
2:8 – A palavra Esmirna significa “amargo” cuja origem da palavra é “mirra” – Mirra é muito preciosa, daí vemos que este sofrimento é um sofrimento precioso. Todos aqueles que sofrem pelo Senhor são verdadeiramente preciosos.
            “O primeiro e o último” denota que o Senhor é o Deus que nunca muda. Quanto conforto este Nome dá à igreja em Esmirna.
            “Que esteve morto e o tornou a viver” – Estas foram as experiências do Senhor enquanto esteve sobre a terra. Isto dá grande consolo e encorajamento e também ajuda os crentes em Esmirna.
1.      O Senhor nos deixa um exemplo. Se Ele teve de morrer enquanto esteve aqui na terra, poderemos nós ser poupados?
2.      Desde que sofreu até a morte, Ele é totalmente capaz de se simpatizar conosco (Hb 4:15).
3.      Afim de realizar o propósito de Deus e vencer o inimigo Ele teve que sofrer a morte; da mesma maneira, nós necessitamos de sofrer para que também possamos ser vitoriosos.
4.      Embora Ele tenha morrido, Ele viver novamente. Há esperança, e não será em vão se nós sofrermos ou morrermos pelo Senhor.
2:9 – “Eu sei” – (1) O Senhor sabe tudo o que concerne ao nosso sofrimento. Nossos corações deveriam portanto descansar. (2) Desde que Ele conhece os nossos sofrimentos, e ainda assim não os tira de nós, isto só pode significar que tais sofrimento são úteis para nós. (3) Conhecendo nossos sofrimentos agora, Ele sem dúvida sabe como nos recompensar no futuro.
            Os sofrimentos que a igreja em Esmirna suportou podem ser divididos em três partes: (1) tribulação, (2) pobreza, e (3) blasfêmia.
1.      Tribulação. O que é isso? Tribulação é pressão que vem de fora, como oposição, ataque, ostracismo, opressão, zombaria, despojamento, e assim por diante.
2.      Pobreza. As pessoas não se sentem muito mal se estão amplamente supridas financeiramente durante o período de tribulação. Mas sofrer tribulação juntamente com pobreza pode ser considerado de fato como chegar ao fim de suas forças.
Apesar de tal situação, o Senhor adiciona a mais preciosa palavra, dizendo, “mas tu és rico” – Nesse tempo a sua fé é realmente rica (tg 2:5) e o amor proveniente dela verdadeiramente completo (I Ts 1:3). De outra forma, quem já não teria caído sob tais circunstâncias?
A igreja em Esmirna é diretamente oposta à igreja em Laodicéia (3:17). Ora, ninguém pode ser Esmirna diante do Senhor e simultaneamente ser Laodicéia diante do mundo.
3.      Palavras de Blasfêmia. São aquelas palavras que nos difamam. Algumas pessoas podem aguentar a tribulação e a pobreza, mas poucos suportam a zombaria e blasfêmias relacionadas com seus nomes.
“A blasfêmia dos que a si mesmo se declaram judeus” – Isto é porque tal blasfêmia se iniciou pelos judeus. Mesmo quando nosso Senhor estava sobre a terra, Ele foi bastante blasfemado; como então poderemos nós evitar essa situação?
O que são palavras de blasfêmia? Blasfemar contra a palavra de salvação (At 13:45; 18:6; 19:9; 28;22; RM 3:8). Ainda assim o Senhor diz: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós” (Mt 5:11).
            Alguma coisa mais pode ser observada aqui. “Que a si mesmo se declaram judeus, e não são, sendo antes sinagoga de Satanás”. – Quem são estas pessoas? Antes de resolvermos este quebra cabeça, devemos primeiramente descobrir quem são os judeus verdadeiros. Ao lemos Romanos 2:28.29, João 8:39-47, e Romanos 4:11,12, podemos imediatamente perceber que um verdadeiro crente no Senhor Jesus é um judeu verdadeiro. Sendo assim, aqueles que não são judeus, mas se dizem ser, assumem naturalmente uma atitude que aponta para os judeus de acordo de acordo com a carne, juntamente com os prosélitos convertidos ao judaísmo.
            Estas pessoas estão organizadas naquilo que pode ser denominado de igreja judaizante. Seus ensinamentos são judaizantes, sendo parte baseada na lei e parte na graça, uma salvação parcialmente pela fé e parcialmente pelas obras. Os sistemas delas seguem aqueles que estão sob a lei, com uma casta de sacerdotes. Havia um grande número dessas pessoas no tempo de Paulo; exceto que eles eram mais desenvolvidos e organizados no período da revelação do Apocalipse. Assim, eles se tornaram na sinagoga de Satanás, sendo usados por ele para propagar outro evangelho que não é de forma alguma o evangelho.
2:10 – “Não temas as cousas que tens de sofrer” – Estas são as coisas que eles estariam ainda por sofrer, somadas às três coisas já mencionadas. Isto é realmente sofrimento sobre sofrimento. Mas o Senhor tem nos dito antecipadamente:
            “Não temas”: (1) O medo é fonte da derrota. A coragem impede a derrota. (2) Desde que o Senhor já venceu, nós também – apesar de sofrermos – consequentemente venceremos.
            “Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova” – Inicialmente era oposição e blasfêmia, mas mais tarde aumentou, incluindo aprisionamento. Os propósitos por trás do aprisionamento são:
1.      Para que não sejam capazes de testemunharem externamente, desse modo atando a verdade do Senhor;
2.      Para que sejam separados uns dos outros, diminuindo assim as suas forças; e
3.      Para que aqueles aprisionados possam sofrer de tal maneira a ponto de perderem as forças em seus corações. Oh, quão vergonhosas são as artimanhas do maligno!
“O diabo está para...” – Nenhum homem é mencionado, apenas o diabo é especialmente apontado aqui. Desta forma (1) não devemos murmurar contra os homens, mas devemos odiar o diabo, e (2) devemos reconhecer o inimigo e resisti-lo.
“Tereis tribulação de dez dias” – Os “dez dias” citados aqui não se referem literalmente a dez dias e dez noites. Simplesmente nos diz que este sofrimento tem a duração limitada. Pode inclusive tipificar as dez perseguições colossais que foram perpetradas pelo Império Romano.
“Sê fiel até à morte” – (1) “Até à morte” indica a possibilidade de ser morto. Quando o diabo descobre que o aprisionamento falha em alcançar o seu objetivo, ele moverá um passo a mais, especificamente, matará. (2) “Sê” é colocado no modo imperativo, como uma ordem. (3) “Fiel até à morte” significa que eles não amam suas próprias vidas mesmo diante da morte (12:11). Este é o limite do ataque do diabo. Ele não pode fazer mais nada se nós formos assim fiéis.
“E dar-te-ei a coroa da vida” – Que promessa preciosa, quão abençoada é esta esperança (Tg 1:12). O que é prometido aqui não é apenas vida, mas a coroa da vida A vida é recebida por meio do crer; a coroa da vida é obtida em ser fiel. “Coroa” fala de glória, reinando com Cristo no reinando dos céus.
2:11 – “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” – Isto já foi explicado anteriormente. “O vencedor, de nenhum modo sofrerá dando da segunda morte”. Quão clara é a promessa dita ao vencedor: positivamente, obtendo a coroa da vida, negativamente, não sofrendo o dano da segunda morte.
            “O vencedor, de nenhum modo sofrerá o dano da segunda morte” – Colocado de outra forma, poderá ser lido: Aquele que for vencido sofrerá o dano da segunda morte. No entanto, antes do “dano da segunda morte” ser mencionado, a palavra primeiramente especifica o que é a vitória ou derrota aqui. A vitória neste caso é ser fiel até à morte, então, naturalmente a derrota é não querer ser um mártir do Senhor. Aquele que ama a sua própria vida e não ousa morrer pelo Senhor sofrerá os danos da segunda morte.
            Devemos nos perguntar o que é a segunda morte. Em Apocalipse 20:14,15 nos é dito que os mortos, após serem ressuscitados, serão lançados no lago de fogo, o qual é a perdição eterna. Os crentes porém, não terão qualquer parte nisso (João 10:28).
            Os danos da segunda morte e a segunda morte são duas coisas diferentes. Como a vida é oposta à segunda morte, assim também a coroa da vida está em contraste aos danos da segunda morte.
Desde que há diferença entre a vida e a coroa da vida, deve haver também distinção entre a segunda morte e os danos da segunda morte, naturalmente se relaciona com o período do reino também. Logo, os danos da segunda morte não significa perdição eterna.
Uma definição direta do que são os danos da segunda morte, e o que a segunda morte significa, pode ser colocada da seguinte forma: A segunda morte denota que um não-crente cuja alma tenha já sofrido após a morte, sofrerá eternamente em espírito, alma e corpo após a ressurreição no futuro. Já os danos da segunda morte simplesmente significam que o crente após ter ressuscitado poderá sofrer durante o período do reino, portanto isto seguramente não está relacionado à perdição eterna. Podemos louvar a Deus por Sua justiça, uma vez que um vencedor, tendo sofrido martírio sobre a terra, não sofrerá os danos da segunda morte durante o período do reino, mas ao contrário, receberá a coroa da vida. Sim, um cristão derrotado que não deseja sofrer pelo Senhor, pode escapar do sofrimento na terra, mas sofrerá no período do reino e não receberá a coroa da vida. Quem não gostaria de escolher antes sofrer no presente tempo e posteriormente receber glória?

            Uma tipologia do Antigo Testamente pode auxiliar na ilustração deste ponto. As pessoas em Sodoma forma queimadas até a morte – e isto pode significar a segunda morte. A mulher de Ló se tornou numa coluna de sal fora da cidade – e isto pode sugerir os danos da segunda morte.
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